Joanna Bialobrzeska e a contribuição da Bauhaus para o modernismo brasileiro

quinta-feira, 3 de agosto de 2017.
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Investigar a influência da Bauhaus no Brasil mediante o levantamento e análise da recepção e disseminação dos princípios, pensamentos, propostas e métodos dessa importante escola de arte e arquitetura, é o objetivo do projeto da pesquisadora Joanna Bialobrzeska, bolsista do Programa de Apoio à Pesquisa, Edição 2016, da Fundação Biblioteca Nacional.

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A pesquisadora Joanna Bialobrzeska, bolsista do Programa de Apoio à Pesquisa, Edição 2016.
A pesquisadora Joanna Bialobrzeska, bolsista do Programa de Apoio à Pesquisa, Edição 2016.

A Bauhaus, com sua concepção pedagógica de unir artes aplicadas, ciência e tecnologia, tornou-se, ao longo do tempo, uma das mais influentes escolas do século XX. Seu impacto não teria sido tão abrangente se os seus representantes não tivessem se espalhado pelo mundo, divulgando os ideais nos quais acreditavam.

Devido à situação econômica da Alemanha e às pressões do nazismo, vários artistas e arquitetos germanófonos influenciados direta ou indiretamente pelos ideais da Bauhaus e da Neues Bauen (Arquitetura Nova), refugiaram-se, no início do século XX, na América, inclusive no Brasil, onde começaram a trabalhar com o conteúdo que trouxeram de seu país de origem. Em pouco tempo, eles se ligaram a redes socioculturais aqui existentes, cultivando amizades, trabalhando em ateliês, projetando e construindo obras, participando de eventos científicos etc.

No Brasil, segundo Joanna, a época do modernismo ficou primariamente marcada por Le Corbusier a partir da construção da sede do Ministério da Educação e Saúde, o Palácio Gustavo Capanema, cujo projeto inicial é de autoria do arquiteto francês. A linguagem arquitetônica de Le Corbusier se impôs e exerceu forte influência sobre o modernismo brasileiro. Mas a pesquisadora sustenta – fazendo coro com outros pesquisadores que investigam a origem da arquitetura moderna no Brasil – que não se pode esquecer a influência alemã nesse movimento, a qual, por isso mesmo, merece análise mais aprofundada.

De nacionalidade polonesa, Joanna Bialobrzeska propôs-se a analisar e avaliar as fontes existentes nos acervos das bibliotecas nacionais do Brasil e da Alemanha, delimitando a contribuição do modernismo alemão para a construção da linguagem do modernismo brasileiro. Seu objetivo é identificar e avaliar os paradigmas da Bauhaus incorporados com sucesso na Arquitetura e Arte Moderna Brasileira.

O projeto constitui uma real contribuição à investigação da influência do modernismo europeu na América do Sul. Se, por um lado, o projeto se vincula ao estudo da recepção da Bauhaus e dos artistas de língua alemã em seu exílio no Brasil, por outro, busca contribuir para o conhecimento do movimento modernista no país, chamando a atenção para os impulsos recebidos de outras escolas neste mesmo sentido.

Joanna é formada em História da Arte, Arqueologia Cristã e Bizantina e da Pré e Proto-História, na Universidade Georg-August de Göttingen, e é doutoranda em História de Arquitetura na mesma instituição. Participou de várias escavações arqueológicas e projetos de preservação do patrimônio, inventário de monumentos arquitetônicos, museologia e arquivamento. Colaborou para o desenvolvimento do conceito e elaboração cientifica do Museu da Idade do Bronze, na Baixa Saxônia, Alemanha, organizando exposições de artes e liderando um espaço gastro-cultural.