José Saramago foi o tema central de Diálogos com Pilar del Rio e Edney Silvestre

sábado, 5 de agosto de 2017.
Evento
literatura, jornalismo, língua portuguesa, literatura portuguesa, literatura brasileira
O Programa Diálogos da última quinta-feira, 3 de agosto, reuniu a viúva do escritor José Saramago, Pilar del Rio, e o escritor e jornalista Edney Silvestre no Auditório Machado de Assis da Biblioteca Nacional, no Centro do Rio, com mediação da jornalista Helena Celestino. Eles percorreram uma variedade de assuntos, sempre girando em tornou da vida de José Saramago, sua obra e memória.

cobertura-3707-jose-saramago-foi-tema-central-dialogos-com.jpg

3 de agosto de 2017 - Da esquerda para a direita, Pilar del Rio, Helena Celestino e Edney Silvestre.
3 de agosto de 2017 - Da esquerda para a direita, Pilar del Rio, Helena Celestino e Edney Silvestre.

Ao longo de uma entrevista de mais de duas horas, Pilar del Rio percorreu temas políticos, tendo discutido o cenário internacional conturbado – com a emergência de radicalismos e conflitos em diversas partes da Europa e do mundo – e os desafios contemporâneos de Portugal – Pilar naturalizou-se portuguesa recentemente, após a morte de José Saramago. Para ela, “o ato de escrever é, sobretudo, um ato cívico e moral muito importante, assim como ler. Ao ler, entendemos melhor a nós mesmos e ao mundo em que vivemos. Cada vez que lemos, estamos realizando um ato de resistência, porque nos convertemos em cidadãos difíceis pelo pensamento crítico."

Sobre a importância da leitura, Pilar del Rio destacou que “ninguém pode se tornar escritor se previamente não leu muito” e lembrou esse aspecto fundamental da formação de José Saramago: “foi um escritor tardio, porém um leitor precoce”. Desde pequeno, o autor demonstrou grande interesse pelos livros. Aprendeu sozinho o francês e o espanhol, idiomas que seriam muito úteis mais tarde, já que, entre outras atividades, Saramago atuou como tradutor de uma grande quantidade de obras. Toda essa ‘bagagem’ contribuiu para sua formação como escritor, vocação que só passaria a exercer plenamente mais tarde: nascido em 1922, Saramago passa a publicar seus livros a partir da segunda metade da década de 60.

Sobre esse protagonismo dos livros e a importância central da leitura na formação do escritor, Edney Silvestre lembrou entrevista que realizou com o próprio Saramago em sua casa na ilha de Lanzarote, nas Canárias. A necessidade de trabalhar desde cedo não permitiu que Saramago cursasse uma universidade, mas pela imersão constante na leitura durante sua formação, Saramago declarou que “os livros são a minha universidade”.

Relembrando essa ocasião, Edney citou uma extensa ‘sabatina’ pela qual passou antes da entrevista; na ocasião, Pilar del Rio fez uma série de perguntas sobre como seria a entrevista, procurando saber detalhes e antecipar informações sobre perguntas. Edney brincou: “Você foi me testar”. O jornalista elogiou a postura de Pilar e sua dedicação ao escritor durante o período em que foram casados: “dedicar uma parte da vida a uma pessoa como você fez com o Saramago é um gesto de amor, uma coisa muito linda”.

Edney Silvestre contou também que foi após o retorno de Lanzarote que passou a considerar com maior seriedade a divulgação de seu próprio trabalho literário: “eu vinha escrevendo Se eu fechar os olhos agora há algum tempo, mas pensava que não pertencia a esse mundo da cultura, da literatura. Depois que entrevistei Saramago, eu percebi que não precisava ser um dos maiores, apenas precisava ter a minha própria voz”.

3 de agosto de 2017 - Visão geral do auditório Machado de Assis da Biblioteca Nacional. Da esquerda para a direita, Pilar del Rio, Helena Celestino e Edney Silvestre.
3 de agosto de 2017 - Pilar del Rio no Programa Diálogos.
3 de agosto de 2017 - Helena Celestino e Edney Silvestre no Programa Diálogos.
3 de agosto de 2017 - Da esquerda para a direita, Pilar del Rio, Helena Celestino e Edney Silvestre.