Jaqueline Oliveira e a Bahia colonial pelos manuscritos da BN

terça-feira, 29 de março de 2016.
Perfil
Programa Nacional de Apoio a Pesquisadores Residentes - PNAP-R, Programa Nacional de Apoio à Pesquisa - PNAP, pesquisa, pesquisadores, pesquisador, pesquisadora
Com “De re diplomatica: fazer notarial na Bahia Colônia através de Manuscritos da Biblioteca Nacional”, Jaqueline Oliveira, bolsista do Programa Nacional de Apoio a Pesquisadores Residentes da Biblioteca Nacional (PNAP-R), mergulha em textos jurídico-administrativos de tabeliães na Bahia do período colonial para identificar costumes da época.

A cidade de Salvador herdou de Portugal a estrutura e composição administrativa. Foram também importadas as formas de registro dos atos jurídico-administrativos, ou escrita cartorial, notarial e de chancelaria. Com o passar do tempo, as práticas diplomáticas apropriadas de Portugal foram ganhando feições próprias, na medida em que agentes administrativos, tabeliães e escrivães transformavam essa linguagem, criando uma forma brasileira, diferente daquilo que se praticava na Europa.

O trabalho de Jaqueline Oliveira realiza uma reconstituição de parte de um perfil profissional, social e humano de quem fez da escrita um ofício e um modo de vida, apresentando dados textuais lidos à luz das teorias da Paleografia e Diplomática. Os registros sobre a Bahia no período colonial documentam os primeiros séculos de fazer diplomático ou notarial no Brasil, permitindo traçar um perfil dos que se dedicavam à escrita à época. Para tanto, a pesquisadora realiza extensa pesquisa nas coleções Bahia e Conselho Ultramarino, ambas do acervo de Manuscritos da FBN, permitindo um olhar que vai do histórico ao linguístico, do nível grafemático ao discursivo, que pode beneficiar estudiosos e interessados em áreas diversas.

“O tabelião português medieval conhecia bem o cotidiano local e acabava por conquistar a confiança da população, criando uma espécie de dependência da clientela. O notário pertencia à fina camada dos que sabiam escrever e, ao mesmo tempo, era investido de fé pública, privilégio que podia ser passado de pai para filho. Quem exercia o ofício de tabelião, por sua especialização e poder, rapidamente alcançava uma posição de destaque na tessitura social urbana. Essas características já podem ser vislumbradas nos resultados parciais desta pesquisa.”

Em decorrência do desenvolvimento desse trabalho, os textos inéditos serão editados semidiplomaticamente (que mantém a forma original do texto, interferindo apenas na separação e união vocabular), ou seja, sem alterar o sistema linguístico por eles veiculado, e serão produzidos índices, fichas e glossário para organizar os dados e facilitar futuras consultas e análises.

Jaqueline Oliveira é filóloga, pesquisadora voluntária no Grupo de Pesquisa do Mosteiro de São Bento da Bahia. Desde 2006, tem atuado na edição de documentos que se referem à Bahia colonial, ocupando-se, mais especificamente, de Livros de Tombo do Mosteiro de São Bento da Bahia, buscando oferecer uma edição semidiplomática digital do material, recortado por temáticas. A pesquisa na Biblioteca Nacional, com sua substancial massa documental, é o caminho natural para avanço nas pesquisas já publicadas em artigos, dissertação e tese pela autora, podendo-se estabelecer diálogos, complementariedades, ligações, enfim, oferecendo novos elementos para quebra-cabeças da História Brasil.