Colegas de Eduardo Portella relembram sua passagem na presidência da Biblioteca Nacional

quinta-feira, 4 de maio de 2017.
Homenagem
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O corpo do ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional Eduardo Portella foi velado na manhã desta quarta-feira, dia 3 de maio, na sede da Academia Brasileira de Letras, e enterrado no jazigo da ABL no cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.

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Corpo de Eduardo Portella, ex-presidente da Biblioteca Nacional, é velado na Academia Brasileira de Letras (ABL).
Corpo de Eduardo Portella, ex-presidente da Biblioteca Nacional, é velado na Academia Brasileira de Letras (ABL).

Sua passagem como presidente da Biblioteca Nacional foi marcada por grandes projetos, com destaque para aqueles voltados à promoção da leitura, tendo deixado uma legião de admiradores, todos agora consternados com sua morte.

Para Helena Severo, presidente da Biblioteca Nacional, Eduardo Portella era um intelectual múltiplo, e destacou passagens marcantes de sua vida:

“Professor, crítico literário, ensaísta e escritor, Eduardo Portella foi também um importante ator da cena política brasileira nos últimos 50 anos. Ainda jovem, integrou o Gabinete Civil de Juscelino Kubitschek, experiência que lhe proporcionou a grande chance de ser observador privilegiado de um dos períodos mais relevantes de nossa história recente.

Já no Governo Figueiredo, foi nomeado Ministro da Educação, Cultura e Ciência e Tecnologia. Sua gestão foi marcada por forte atuação em favor do processo de democratização do Brasil. A recusa em reprimir uma greve universitária terminou por lhe valer o cargo. É dessa ocasião a famosa frase ‘não sou ministro, estou ministro’.

Posteriormente, Eduardo Portella exerceu por cinco anos o cargo Diretor Geral Adjunto da UNESCO, tendo tido oportunidade de estabelecer relevantes diálogos com a produção cultural internacional.

Quando de seu retorno, Portella assumiu a presidência da Fundação Biblioteca Nacional marcando de forma indelével a história dessa casa. Neste momento, servidores e funcionários da BN juntam-se a amigos e familiares no adeus àquele que foi, sem dúvida, um grande e valoroso homem público.”

A memória de Eduardo segundo seus pares

Diversos amigos e colegas de Eduardo Portella na Biblioteca Nacional compartilharam suas impressões e memórias sobre o período em que o escritor ocupou a presidência.

Para o coordenador de Preservação, Jayme Spinelli Junior, “o ex-presidente da FBN foi importante para a aprovação de novos projetos do setor, sendo muito simpático com o trabalho de conservação e preservação desenvolvido aqui”.

Já Liana Gomes Amadeo, diretora do Centro de Processamento e Conservação, declarou que “Eduardo Portella foi um estadista, tendo vivenciado diversos momentos relevantes da História do nosso país.  Ele promoveu uma fase brilhante na FBN, desenvolvendo e implementando o tripé ‘Livro, Leitura e Biblioteca’”.

Para Suely Dias, “Eduardo Portella foi meu mestre e amigo. Homem sábio, mesmo em silêncio. Quero expressar minha admiração e gratidão por tudo o que me ensinou”.

Tania Pacheco declarou que “Eduardo Portella era uma figura ímpar. Não existe partida para aquele que permanecerá eternamente em nossa memória”.

Joaquim Marçal lembrou que “nesse período, Portella trouxe de volta a bibliotecária Celia Zaher e, juntos, avançamos muito. Foi um trabalho em equipe que nos permitiu realizar muitas coisas. Eu tenho boas lembranças do período em que Eduardo Portella presidiu a Biblioteca Nacional”.