Eduardo Portella, um intérprete do Brasil - Morre aos 84 anos o ex-presidente da Biblioteca Nacional

terça-feira, 2 de maio de 2017.
Falecimento
Eduardo Portella, Presidente da BN, Fundação Biblioteca nacional, Anais da Biblioteca Nacional
Morreu nesta terça-feira, 2 de maio, o escritor e advogado baiano Eduardo Portella, aos 84 anos, após internação no Hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UERJ (1970), Eduardo Portella integrou o gabinete do ex-presidente Juscelino Kubitscheck.

Ocupou o Ministério da Educação, Cultura e Desportos entre março de 1979 e novembro de 1980, durante o governo João Figueiredo, quando tornou célebre a frase “não sou ministro; estou ministro”, que demonstrava sua fragilidade no cargo em função de posições políticas em choque com aquelas do governo militar, mesmo em se tratando de período de abertura política.

Foi Secretário de Cultura do Rio de Janeiro em 1987 e 1988 e coordenou a pasta de educação, cultura e comunicação para a Constituição de 1988.

Ocupou a vice-presidência (1988 a 1993) e a presidência (1997 a 1999) da Conferência Mundial da Unesco e foi eleito em 2000 e reeleito em 2003 presidente do Fundo Internacional para a Promoção da Cultura do mesmo órgão. 

Em 1981, Eduardo Portella passou a ser o sexto ocupante da cadeira 27 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é Antônio Peregrino Maciel Monteiro.

Ocupou a Presidência da Biblioteca Nacional entre julho de 1996 e fevereiro de 2003, período em que a instituição teve forte impulso no sentido de informatizar seus catálogos e bases de dados, com destaque também para os investimentos em informatização do espaço de trabalho.

Em editorial publicado na edição 116 dos Anais da Biblioteca Nacional, de dezembro de 1996, Portella destacava sua visão estratégica para sua gestão à frente da Biblioteca Nacional, que iniciava naquele período: “A Fundação Biblioteca Nacional é uma entidade que opera em três níveis rigorosamente coesos: o livro, a leitura e a biblioteca. A ela compete não apenas guardar e preservar o livro, mas interferir na política de sua produção e distribuição, assim como na política de leitura no país. Ao assumir a Presidência em julho deste ano, propus a criação de um Fórum de Debates Internos. Sua principal finalidade: pensar e discutir os objetivos da Fundação Biblioteca Nacional, ratificar a sua tridimensionalidade, equipá-la para o desafio da virada do milênio”.

O velório ocorre hoje, 2 de maio, na Academia Brasileira de Letras, e o enterro está marcado para a quarta-feira, 3 de maio, às 11h.

Eduardo Portella inaugura exposição na Biblioteca Nacional (1996).
Eduardo Portella e o Ministro da Cultura, Francisco Weffort, em visita à Biblioteca Nacional.