Revista Poesia Sempre, ano 10, n.17 – Japão

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“Este número da Poesia Sempre presta homenagem à grade poesia e cultura do Japão, no conhecido viés multidisciplinar de suas quatro últimas edições. Homenagem que representa o índice de cosmopolitismo da cultura brasileira, tão profunda e arraigada, que não teme o rosto de outras vozes, para ampliar sua vocação ultramarina.

Assim, Luís Antônio Pimentel aborda não apenas a formação do haicai, mas, sobretudo, certos matizes do pensamento oriental, após longa residência no Japão. Nessa mesma atmosfera, a revista apresenta uma pequena antologia dos quatro poetas clássicos, Bashô, Buson, Issa e Shiki, ilustrada pela calígrafa Hisae Sagara. Mais adiante, Chisato Usui aborda o sentido visual da fascinante cartografia do haicai no Brasil, enquanto Massao Ohno – poeta da edição – evoca seu trabalho cultural e seus projetos. No campo da micropoética, Stephen Reckert examina o intertexto Leste-Oeste, tomando como ponto de partida Portugal. E do moderno cinema japonês, João Luiz Vieira oferece um estudo fundamental e aggiornato. Os poetas Casimiro de Brito e Ban’ya Natsuishi traduziram e selecionaram 60 haicais japoneses do século XX, debatendo, antes disso, as razões fundamentais de sua escolha e os móveis desse diálogo, como um Divan neogoethiano. Aí se incluem poetas de renome como Yamamuchi, Sumitaku, Tomizawa e Kawahara, bem como o próprio Natsuishi. A seleção produziu – além do frescor de uma poesia não muito conhecida em nosso país – um ethos  de fundamental importância, frente ao olhar generoso que duas culturas devem guardar fervorosamente, uma diante da outra.

Além do dossiê Japão – mantendo muito embora um diálogo difuso com ele –, outras partes se articulam na revista, como o depoimento de Armando Freitas Filho e um poema seu inédito, ou como a seção de poesia brasileira contemporânea (interrompida apenas no número dedicado exclusivamente ao centenário de Drummond), que agora volta com a máxima abertura possível, buscando realizar um fórum livre e sensível.

Em sua vertente ensaística, Poesia Sempre reúne ensaios importantes, desde a visão do naufrágio na poesia moderna, assinado por Leyla Perrone-Moisés, à poesia de Ingeborg Bachamann, por Vera Lins, para terminar com uma análise do elemento dramático na poesia de João Cabral, de Antonio Hohlfeldt. Com a mesma força, propomos o debate poesia e artes plásticas, em que tomaram parte três nomes da arte contemporânea brasileira: Anna Letycia, com “Silêncio e poesia”, José Bechara, com “Profunda superfície”, e Anna Maria Maiolino, com “O demiurgo e seu território”.

Cumpre assim a revista Poesia Sempre a sua tarefa, marcada pelo absoluto respeito ao leitor e ao cosmopolitismo da cultura brasileira.”

(texto da contracapa)

Características (título)

Ano de publicação: 
2002

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