Revista Poesia Sempre, ano 18, n.36 − Minas Gerais

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Diversos autores

“No momento em que aceitei o convite para assumir a honrosa tarefa de editar a revista Poesia Sempre, recebi da Fundação Biblioteca Nacional a incumbência de construir este número, pela primeira vez sob minha responsabilidade, com o olhar voltado para a poesia brasileira. Então, pensei de imediato em dar ênfase aos estados brasileiros, com o próposito de realizar um retrato o mais abrangente possível da história da poesia destes lugares. Resolvi começar por Minas Gerais, ao levar em consideração, acima de tudo, a reconhecida riqueza poética mineira. Após definir os poetas ‘clássicos’, o critério que me guiou para a escolha dos contemporâneos foi o de relacionar fundamentalmente aqueles que moram ou moraram em Minas Gerais na maior parte de suas vidas. As exceções ficaram por conta dos que, apesar de terem residido por longo tempo em outro estado, guardam, na obra e no modo de ser, uma identificação inequívoca com a ambiência mineira. Por outra parte, há conhecidos poetas da atualidade que, apesar de nascidos em Minas Gerais, não figuram nesta antologia por terem se incorporado quase que por inteiro à cultura de outras regiões. Por último, nunca é demais ressaltar que uma antologia, pela própria definição, é apenas possível recorte de momento, sema  pretensão de esgotar um campo tão vasto e sempre controvertido.

As necessárias cessões dos direitos autorais estabeleceram alguns problemas insolúveis. Assim, não puderam participar dessa amostragem da p oesia mineira Guilhermino César e Murilo Mendes. A ausência de Murilo na antologia é uma perda que muito se lamenta, pois se trata de um poeta que ensina “O que raras vezes a forma/Revela./O que, sem evidência, vive./O que a violeta sonha. O que o cristal contém/ Na sua primeira infância.’ Ou que encena a ‘Despedida de Orfeu’: ‘É hora de vos deixar, marcos da terra, Formas vãs do mudável pensamento, / Formas organizadas pelos sonho:/ Cantando, vossa finalidade apontei./ É hora de vos deixar, poderes do mundo,/ Magnólias da manhã, solene túnica das árvores,/ Montanhas de lonjura e peso eterno [...] É hora de explodir, largar o molde:/Cumprindo o rito antigo,/ Volto ao céu original,/ Céu debruado de Eurídice; / Homem, cripto-vivente,/ Sonho sonhado pela vida vã,/ Cantando expiro.’

Na abertura dessa mostra da poesia mineira, contamos com um ensaio da professora Letícia Malard em que ela analisa com percuciência os vários momentos históricos e seus principais personagens poéticos.

Para este número realizamos uma entrevista com o poeta e ensaísta Affonso Romano de San’Anna, que foi o criador da revista Poesia Sempre em 1993. Na seção de resenhas, os poetas Claudio Willer e Floriano Martins apresentam comentários analíticos sobre livros de Rodrigo de Haro e de Viviane de Santana Paulo.

Há que citar ainda a publicação de três traduções do poema “O barco bêbado”, do poeta francês Arthur Rimbaud. Este poema foi escrito em setembro de 1871, tendo assim completado 141 anos de existência. A ideia de colocar, lado a lado, três versões de um mesmo poema é oferecer ao leitor a oportunidade da comparação, no sentido de se fazer possível visualizar as variadas soluções buscadas por cada um dos tradutores.”

Afonso Henriques Neto

(texto da apresentação)

Características (título)

Ano de publicação: 
2012

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